A Ética e a Política

                                                                         Ana Odette Danin



Há um clamor geral pela Ética, que parece tornou-se artigo de luxo nos dias atuais. Os últimos acontecimentos no campo da política acirraram ainda mais esse estado de espírito. Todos querem ética, mesmo os que nem sabem o que significa praticá-la.
Impossível falar de ética sem nos reportarmos à  Grécia Antiga, berço de Aristóteles que ensinava ser a conquista da Felicidade o objetivo primordial do Homem e só a Ética poderia conduzi-lo  a isso. Para o indivíduo a conduta ética seria a prática do bem e a repulsa ao mal.
Princípios éticos são a  valoração da conduta humana em determinada época e em determinada sociedade. A ética é necessária para a vida em sociedade  e, como o objetivo fim do Estado é a formação moral e a promoção da felicidade da sociedade, não há que se falar em Política sem que a ela esteja entrelaçada à  Ética. A Ética é requisito para a Política.

Como a política é exercida por indivíduos, torna-se impossível instalar e ética na Política se antes não o fizermos nas relações sociais e econômicas. A ética não é inata, deve ser adquirida através da prática de  bons hábitos seguindo princípios morais  do bem e refutando todo o mal e insistir de tal maneira nesse comportamento que ele passará a fazer parte da natureza do indivíduo.

Partindo do princípio que os jovens de hoje serão os governantes de amanhã, há que se fazer a revolução da Ética no lar, na sociedade e na economia para se chegar ao Governo.  A conduta ética se aprende desde o nascimento, faz parte da educação e esta se adquire através de exemplos. É  no seio do  lar que se aprende a distinguir o bem do mal.
Ao observar os pais pararem em fila dupla na porta da escola, a criança, na mais tenra idade,  começa seu aprendizado . Mais tarde copiará a tarefa do colega, assinará textos alheios como seus, achará correto que os pais comprem sua vaga na universidade. Fraudará concursos públicos, avançará o sinal vermelho, estacionará na vaga do deficiente físico ou idoso.  Levará o cãozinho para passear e deixará seus dejetos espalhados nas calçadas e praças, não se importando se alguém irá pisar ou alguma criança tocar.E assim, o que fica automatizada é a má conduta, despreza-se o bem como algo inerente aos “tolos”. Cada um passa a querer levar mais vantagem que o outro.

O feirante altera sua balança, o contribuinte burla o imposto de renda, o dono da construção joga o entulho no lote vizinho e como uma bola de neve a vida em sociedade vai se tornando impossível. Culpa-se então o governo, mas, o governo não somos nós mesmos?

E a democracia, a forma ideal de governo, sofre uma degeneração e se transforma em demagogia e passa   “fazer a cabeça” dos menos aquinhoados intelectualmente.
Não poderia deixar de citar  Ruy Barbosa, exemplo de conduta que aprendi a admirar desde criança e que a maioria dos brasileiros sequer ouviu falar, na Oração aos Moços.
...” De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Só o estudo, o conhecimento e a distinção entre o bem e o mal desde o nascimento podem conduzir a uma conduta ética e como consequência lógica a uma sociedade mais
igualitária, suplantando a miséria e a marginalidade.

É preciso que se desenvolva o senso crítico nas pessoas para que não se deixem enganar por discursos inescrupulosos e promessas paternalistas, fomentando ainda mais a prática infame  do “ toma lá, dá cá”.

Discordo veementemente das pessoas que afirmam “brasileiro é mesmo assim, desonesto, mau caráter..” Ninguém nasce desonesto, torna-se desonesto seguindo o exemplo das condutas que lhes são apresentadas.
Não se educa apenas com palavras, mas sobretudo com exemplos.
 
                           
 

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